quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Quem é você na era das comunicações?

É inegável que as redes sociais vieram para trazer consigo um estreitamento maior na interação das pessoas. Não sou daqueles que carregam um olhar negativo para as ferramentas de comunicação virtual com a ótica nostálgica de que bom mesmo era no tempo em que se usava telefone a manivela ou então, da época em que nem se tinha comunicação virtual alguma, sem tv, telefone, telex, telegrama e código morse. Fui longe heim….

Gosto de tecnologias e sempre fui fascinado com a capacidade do homem recriar maneiras de tornar a vida mais interessante e prática. Assim é no universo do entretenimento, no campo da saúde, nas atividades práticas do lar e trabalho, bem como em diversas outras áreas.

Como diz meu sábio avô, hoje com 93 anos de idade, "Que coisa mais medonha essa tecnologia de hoje!

Também acho!

A própria internet se configura como num destes avanços tecnológicos notáveis. O mundo hoje, quase  pode ser dividido entre a era Pré-Internet e Pós-Internet.  Na era “internetiana”, negócios são fechados, contas são pagas pela rede, contratos são acordados, notícias são enviadas para qualquer lugar e de qualquer lugar, compras são realizadas e até novos amores e paixões tem surgido com este novo meio de comunicação, para controvérsia de alguns.

Acho notável o avanço da ciência e tecnologia. O holograma, onde você pode projetar uma imagem qualquer em 3D, inclusive a sua, via internet e interagir com qualquer pessoa, já é uma realidade.

Agora, como tudo na vida, onde o equilíbrio é sempre bem vindo e os excessos não são saudáveis, o mergulho nas ferramentas de comunicação virtual não fogem à postura do bom senso quanto ao seu uso.

Papo moralista?
Não!

Ou você ainda não encontrou alguém capaz de abrir mão de um encontro real por um virtual?

Ainda não conheçeu alguém com a capacidade de se expressar de forma mais livre e espontânea por e-mail, sms(torpedo) e messengers da vida do que quando está frente a frente com você?

Nunca encontrou um valente no virtual, capaz de dizer "mundos e fundos" e um frouxo no real?

Nunca ficou sabendo de que há aqueles que sentem mais prazer em sexo virtual do que a troca de energia com alguém ao vivo e a cores?

E dos fakes em redes sociais! Eles não são aqueles que apresentam ser, mas estão lá, interagindo e/ou fiscalizando.

Sobre a vida na internet, outro dia ouvi o cantor Léo Jaime, cantor e músico pop/rock, dizer que se você quiser arranjar confusão com sua parceira(o) é só abrir uma conta em alguma destas redes sociais.
Um “Oi”, “Bom dia” ou um “Ótimo final de semana” de um terceiro qualquer, já será o suficiente para abrir um precedente para sua companheira ou companheiro especular mil situações.

E não é verdade? Pode não ser para todos, mas pelo menos para um bom número considerável de pessoas, sim.

Falando em patrulhamento, o que dizer dos que procuram seguir os passos virtuais do amado(a) ou dos curiosos de plantão que anseiam saber com quem ele(a) anda trocando “scraps” (recados) nas redes sociais.

Ainda sobre as redes sociais, já percebeu que algumas ainda revelam uma característica para lá de curiosa. A exposição de seus membros acerca do que estão fazendo a cada segundo, minuto, hora e momento.

" Acabei de acordar com uma ressaca dos infernos. Que droga!
" Agora meu cachorro acabou de fazer uma cáca dibaixo de minha cama. ki bunitinho!"
" Amanhã irei fazer o teste para tirar carteira de motorista. Ai que medo!"


Etc…

Me chama muito atenção a necessidade que algumas pessoas tem em revelar aos outros, suas escolhas, desejos, raivas, frustrações, planos e metas.

Taí, um auténtico “Big Brother”, para todo mundo ver e saber.

Mas não estou aqui a tomar partido pró ou contra redes sociais. O fato de alguém estar ou não inserido neste novíssimo meio de interação e o que motiva estar lá é decisão de cada um.

Agora penso que reflexões valem a pena sempre serem feitas em toda e qualquer circunstância. Neste caso, poderíamos pensar em algo interessante.

Em relação a tanta hi-tecnía em nossa vida, com novidades a cada dia, poderiamos considerar alguém dependente dos mesmos sob quais sinais?

Quais os possíveis impactos e consequências desta imersão VIRTUAL em relação ao mundo REAL, sobre tudo na relação de gente para com gente?

Que tipo de pessoa você é ou se tornou?



- Como aquele(a) onde, se não atenderem uma ligação sua na hora, a impaciência e intolerância toma a frente e sua reação não é outra a não ser... " Mas que coisa gente! O que essa pessoa está fazendo que não atende logo esta ligação?


- Como aquele(a) em que, se não responderem ao seu sms (msg por celular), no mesmo minuto ao enviado, especulações mil começam a surgir?

- Chegou ao ponto em que se não der tempo de conferir um e-mail, uma “twittada”, um recado qualquer na net, algum nível de angústia e inquietação você começa a experimentar?

- Como alguém que começa a ver seu dia chato em razão de ainda não ter recebido ligação alguma, e-mail algum, ninguém ter realizado comentário algum daquela foto postada e nem ter recebido uma visitinha em seu perfil da rede social?

- Como aquela incógnita na cabeça porque ninguém ainda comentou aquela foto que você postou a mais de, longos, 3 dias em algum lugar na net?

É fato que o meio virtual pode contribuir para o estreitamento de novas relações e encurtar distâncias com pessoas que se admiram. Acho tudo isso fantástico e medonho - lembra do meu avô?

Mas é fato também que quão frágeis, sensíveis em demasia, ansiosos e fantasiosos, boa parte de nós tem se tornado nestes tempos de tantos entrelaçamentos virtuais mas com poucos traços de maturidade na luta REAL da vida.

De que lado você está, REAL ou VIRTUAL?

Que tal pensar um pouco sobre isto?
Assista este breve vídeo e a ilustração que ele traz.

Meu abraço, virtual.

Jackson Garcia – Jack
Psicanalista Clínico
http://psicanalistajackson.blogspot.com/
(Brasília, Janeiro em tarde com ventos – 2011)