quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Sua vida sob o olhar de sua interpretação.

Não faz muito tempo, estava eu almoçando, 14:15h aproximadamente, quando veio um "click" em minha mente, destes em que somos assaltados sem saber o porquê de sua origem, com a seguinte frase: "O mundo gira em torno do olhar interpretativo das pessoas". Por alguns segundos parei de levar até minha boca o saboroso espaguete à parisiense e começei a provocar a fome de entendimento acerca do Insight que tive.

Viaje comigo. Nossas escolhas e NÃO ESCOLHAS são, em grande parte, pautadas pelo "olhar do outro", e é assim para com tudo. Da escolha do tipo de automóvel, pelo calçado,  a roupa a ser usada, o lugar/ambiente a ser frequentado, os amigos com quem caminhar, o lugar para morar,  o tipo de penteado etc. Enfim, é interessante observar como a maioria esmagaradora das pessoas fazem suas escolhas ou deixam de fazê-las pautadas pelo OLHAR/APROVAÇÃO do outro.

Já parou para refletir como boa parte de nós carecemos do aval de um TERCEIRO para autenticar nossas escolhas?

Ok... mas o que está por trás desta sujeição? Qual o pano de fundo por trás das MINHAS ESCOLHAS e/ou NÃO ESCOLHAS?
Meu convite a você é de que apenas...  reflita!

Um caminho possível, dentre outros, a fim de pensarmos e entendermos o porquê desta postura, desta "sujeição", está o clássico... "O que irão pensar de mim?!"
Ual... como esta frase se tornou um clássico e o grande "super-ego" das decisões e não decisões das pessoas... "O que irão pensar de mim?!"

-"O que irão pensar de mim?" determina a AÇÃO ou OMISSÃO quando numa situação de necessidade ou não-necessidade; -"O que irão pensar de mim?" determina, para muita gente, se vale a pena ou não prosseguir em um relacionamento;
-"O que irão pensar de mim?" determina até se irei "sair bem na foto" ou não, se descobrirem onde moro, se meus Pais possuem escolaridade, se minhas roupas serão de grifes famosas, se meu sobrenome carrega algum legado de tradição familiar, se o próximo automóvel a comprar será um hatch ou um sedan, etc...
-"O que irão pensar de mim?" é uma lista que não tem fim! Poderíamos aqui, citar incontáveis situações nas quais, as pessoas se vêem no"O que irão pensar de mim?".

Gostaria de acrescentar mais um ingrediente nesta salada de reflexões acerca do tema  ESCOLHAS. O Medo! Mas medo de quê? Você já passou por alguma situação desconfortante por ser criticado em razão de alguma escolha realizada, uma postura tomada, decidida? Ninguém melhor que você para fazer esta avaliação!

Bom, naturalmente, um e outro poderá vir a discordar com tal linha de reflexão. A maioria, esmagadora, das pessoas haverá de dizer que suas escolhas são tomadas, tão somente,  pelo fruto da sobriedade e convicções internas. Será isso? Pense!

Lembro-me de quando garoto,  ao apresentar alguma pretendente ao namoro a alguns amigos da escola ou rua onde morava, a pergunta que se seguia era: "E aí, o que você achou?". Se você já foi adolescente sabe como as coisas "funcionam" com a maioria da moçada. Se ainda é, já deve ter visto alguém agindo assim. Para boa parte de nós, naquela idade, a pergunta vinha carregada de uma vaidade pessoal afim de que, no mínimo, os outros pudessem dizer: "é....você está bem heim!" rsrsrs... A gente ri porquê são coisas de menino.
Agora, o que me assusta HOJE é ver tais posturas de menino em muitos, pretensos, ADULTOS. Prova de que idade cronológica nem sempre é prerrogativa de maturidade!

É bom que se deixe claro, que, não estou aqui fazendo apologia ao não coleguismo, ao "cada um por sí" ou "não confie em ninguém". Afinal, amigo também é para isso...  DIZER A VERDADE.

 Mas a questão que desejo abordar com você não é esta. O que eu quero pensar com você é: "O mundo gira em torno do olhar interpretativo das pessoas. E você, gira em torno de quê?"

Por falar em INTERPRETAÇÃO, naturalmente você já deve ter INTERPRETADO que quando falo de mundo, não estou me referindo ao que CONTÉM no mundo como carros, casa, cavalo, avião, bolsa etc. 

O tema possui diversos desdobramentos interessantíssimos para pensarmos. Desdobramentos estes em que deixarei para que você mesmo pense, reflita e encontre seus próprios caminhos.

Aliás, você saberia dizer porque de fato escolheu as escolhas que já fez em sua vida?
Que tal pensar um pouco?!
Depois de tantas elocubrações, restou a mim terminar de devorar o então saboroso, não mais tão quentinho, espaguete à parisiense. Ou você se esqueceu que essa "viagem" toda surgiu quando eu comia?
Meu abraço forte e até nossa próxima viagem interior,

Jackson Garcia - Psicanalista Clínico
http://psicanalistajackson.blogspot.com
Nov/2009

18 comentários:

  1. Uau, vou comentar primeiro-mas o que vão pensar de mim!?kkkk[...]Nossa que texto lindo, delicado, simples,introspectivo e verdadeiro!!E tudo se resume a isso mesmo:
    estamos sempre fazendo escolhas. E nunca é demais lembrar que não escolher já é uma escolha.Parabéns pelo blog.

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  2. Jack, parabéns pelo seu olhar sobre o olhar do outro que lhe olha e pensa que lhe vê, mas que, vidrado no espelho do próprio olhar, apenas se revela (e fecha os olhos, julgando fazê-lo porque um cisco o invadiu).
    Olha, eu escolhi ler...e gostei; e não me interprete...risos.
    Abração, Habib - BSB/DF.

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  3. Excelente reflexão!
    As escolhas estão diante da gente em todo o tempo. Devo escolher até mesmo com que humor quero viver o dia. E, para escolher, preciso colocar na balança o que realmente importa.
    Como disse a Adriana num de seus estudos, baseando-se no conhecido "o Senhor é meu pastor; nada me faltará", quem tem sido o senhor na minha vida? Quem ou o quê está determinando minhas escolhas?
    Beijocas,
    Dayse

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  4. É isso aí Jack, bem-vindo ao mundo dos blogs! A internet, o mundo e a percepção de tudo continuam se entreolhando ainda. E é isso que nos torna cada vez mais curiosos!

    []´s
    Ralph

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  5. As pessoas sempre pensam! Talvez elas nem se importem com as nossas ações, ou quem sabe, o pensar delas está direcionado para inveja, admiração, sei lá! O problema é essa nossa preocupação, pois acabamos pensando no outro sobre o que ele vai pensar. Coisas de mentes cíclicas rs. Belo blog. Abração.

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  6. Tomo muito cuidado para não dar a besteira de pensar ou dizer "eu te entendo" ou "já passei por isso" quando alguém me conta um problema. A minha tendência é achar que entendo exatamente o que alguém está sentindo, simplismente por ter passado por uma situação semelhante. Fazendo assim, acabo 'entendendo' a situação do outro sob a ótica da minha própria e às vezes dispensando conselhos que seriam ótimos p/ mim mas na verdade são péssimos p/ a pessoa. Por isso acho que nunca é uma boa idéia prescrever uma solução nossa a um problema do outro... Valeu pelo texto, Jack!

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  7. Patricia (Goiânia)17 de novembro de 2009 09:27

    Nosaaaa jack...arrasou...parabéns pela linda reflexão. Ela nos instiga a mudar o nosso olhar e visão sobre nós mesmos...pq além daquilo q o SENHOR tem preparado para nós...somos totalmente responsáveis pelas nossas escolhas, e na maioria das vezes em que escolhemos algo em q trará dor e sofrimentos a nós mesmos culpamos a DEUS...o único que É e sempre SERÁ a escolha certa..."O q irão pensar de mim se sou loucamente apaixonada por esse Deus?" Pensem o q quiserem...sou mesmo...rsrsrsr

    Beijão amigo!!!! PATRÍCIA (GOIÂNIA)

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  8. É interessante como os questionamentos nos chegam... não sei se o spaghetti me permitiria ter algum insight rsrsrs. O chuveiro colabora mais comigo! Bom, acredito que nossas escolhas são frutos de um conjunto de fatores e, quanto mais infantis somos, mais elas estão condicionadas aos outros (nossos pais, amigos, ídolos), enfim, nossos referenciais. À medida que crescemos, vamos descobrindo o que é verdadeiramente nosso ou que vamos pedindo emprestado ao longo da nossa jornada. É isso.

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  9. Conheço tanto esta história... Não por grifes, ou classe social, mas por medo de decepcionar e isto já me trouxe seriíssimos problemas, quando não devo decepcionar primeiro a Deus, depois a mim mesma. Sem confusões, sem demoras nas reflexões e isto foi libertador. Aprendi a dizer não. Uma palavra jamais pronunciada por minha boca, durante anos a fio de minha vida...
    Obrigada por este canto de se encantar, de cantar e voar... Eu sempre ando voando por aí... Nunca me viu? Parabéns pelo Blog... lindo!!!

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  10. E então não é é essa a sociedade onde os iguais são aceitos e os diferentes rejeitados? como diz um colega meu que hoje vive na Irlanda: - Experimente dizer apenas um "não, obrigada" quando te oferecerem um pedaço de Picanha, sendo você um Vegan e você terá uma pequena compreensão do mundo preconceituoso em que vivemos. É essa massa quem determina que roupas precisam ser iguais para serem aceitas, cabelos têm que ter looks iguais para estarem na moda e a grande maioria de nós é quem, sim, aceita esse legado em muitas áreas da vida, porque são esses mesmos feudos satisfeitos com as escolhas que são deles e não nossas, que pagam os nossos salários (seja investindoo seu dinheiro conosco, seja comprando nossos produtos, seja simplesmente porque nós fazemos parte de um grupo que é aceito por isso continuamos empregados). Quem não se adequa a isso, por OPTAR a pagar o preço de suas próprias escolhas, sabe que o preço é bem alto! Que não nos enganemos, toda escolha (ainda que eu escolha o que o outro escolhe) tem seu preço, o que precisamos saber é que preço nós estamos dispostos a pagar.

    Grande abraço!!

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  11. Fiquei pensando...se minhas escolhas não fosem
    tomadas segundo o olhar do outro,Humm??? pentearia
    os cabelos ao acordar? iria pro trabalho de salto alto, ou de chinelos? usaria algum tipo de maquiagem,jóias,etc...e os homens,trocariam o pijaminha de bolinhas pelo palitó e gravata RSRSR! Acho que nen bolinhas teriam no pijama,afi-
    nal,agente costuma querer se enfeitar para agrada
    dar os olhos dos outros não é mesmo?!Então podemos
    observar que é natural e saldavel, e até prazeroso
    fazermos ísto.Tambem é uma forma de amor ao próxi-
    mo,e nísto está a graça de sermos sociais.O problema não é de ordem natural mas cultural,e ele
    surgi pela imposição do poder capitalita,pela ali-
    enação da sociedade e"repressão de desejos" que sempre gera comportamento doentio.Mas a "educação"
    pode nos libertar desta prisão cultural e nos permitir vivenciar os nossos propios desejos
    e só assim,decidir aceitar ou recusar determiada coisa.prazer conhece-lo! UM ABRAÇO!

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  12. Querido vc têm ótimas elucidações sobre os temas que fazem parte da vida.
    "O que vão pensar de mim"... vc sabe que isso já foi de grande relevância em minha vida, mas hoje eu tive a sutil impressão que tudo isso é fruto de uma enorme falta de adaptação 'as diversidades que mundo nos mostra a cada segundo. Falar e se incomodar com que os outros vão pensar de mim é quase que uma reação esquizofrenizante do ser, onde imperam "verdades mentirosas" que não faz qualquer sentido a nossa vida.
    Dizer que os outros estão pensando em mim, é uma pulsão narcisista que pode ser muito boa ou muito destrutiva , dependendo dos refernciais que vc escolhe pra se construir.
    Enfim ... o que os outros vão pensar de mim .. eu só sei que sempre vão pensar, sempre serei alvo de bons ou maus julgamentos ...e o que me edifica é que hoje eu descobri que existe alguém que pensa em mim com todos os bons atributos e críticas construtivas que mereço e que me são necessárias... esse alguém, o mais importante sou eu mesma.
    E como diz um grande amigo ... "eu prefiro ficar com as minhas velhas e boas "mentiras" edificantes , do que com "verdades" alheias, medíocres e alienantes!

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  13. Amigo, obrigada por poder compartilhar seus textos,suas algumas coisas pessoais.
    Então, o espaguete esfriou? sabe, apenas a maturidade é que nos dá respostas. Lógico, para quem procura.
    Bjk e estamos aqui.
    Nana/JF

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  14. Acredito que essa questão tem duas vertentes pra todos nós: Positiva e Negativa.
    Como não dar atenção às sugestões/toques/críticas de nossa família, amigos íntimos, que são pessoas que nos conhecem tão bem e que geralmente quando fazem alguma asserttiva acerca de nossas atitudes, "geralmente", estas são para nos guiar para a sentatez e nosso próprio bem? Porém, eles podem errar, sim. Isso é verdade! Cabe a nós pensar com calma e ao mesmo tempo atenção para o que ouvimos, correndo o risco de também errar...
    Em um âmbito diferente, também vivemos no sistema imposto pelo sociedade, mais complexo...até que ponto nos deixamos levar para o lado " saudável", aquele que não adianta nos abstermos, e o que podemos descartá-lo (modinhas, pessoas, lugares supérfluos). A realidade é que não adianta querermos simplesmente virarmos às costas pra o que é " ditado" para nós. Querer dar macha à ré em alguns casos pode ser até mesmo uma regressão perante tantas mudanças que pipocam todo tempo no planeta...penso que cabe - à nós - nos conhecermos e termos a sabedoria para fazermos o que melhor for, sem mutilações e a perda da essência peculiar que temos! Eternamente, iremos nos guiar por um exemplo, um olhar. Até mesmo aqueles que se acham mais "independentes", como eu.

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  15. Trazendo a discussão pra algo mais palpável no momento: e não seria esse interessante mundo virtual mais um big olho mutante a influenciar nosso próprio olhar?

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  16. Maravilhoso Texto!
    Talvez sob está análise, começamos a refletir tão difícil se torna assumirmos com maturidade determinadas escolhas que fazemos... Foi nossa escolha, ou foi sob o olhar do outro? Precisamos assumi-las!!!!!!!!!!!!!!

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  17. Carissimo: é realmente uma pena vc não ter continuado a escrever. Esse texto é muito bom. PERSEVERE!
    Grande abraço.
    Nana

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  18. Amigo, vc esta certo de que VC mesmo gostou dessa sua reflexão q vc fez durante o espaguete à parisiense, certo?

    Pq se depender do q os outros podem pensar, vc pode ficar confuso pois uns vão pensar: rapaz, se o cara faz uma reflaxão dessa em segundos q para e levar uma colher de spagetti até a boca, imagina durante um jantar completo com entrada e tudo?
    O outro, como eu, já vai pensar: o cara não descança a cuca nem na hr do almoço!
    Rsrsrs

    Daí como o mais cansativo é viver pensando no que os outros vão pensar, eu passei a me perguntar mais o que EU vou pensar de mim mesma.
    Mas... vc tem razão. É certo q até a minha interpretação de mim mesma não foje da influência das interpretações alheias tem sobre mim.

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